Vinhos da Bourgogne (Borgonha) – 5

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Ricardo R. Cardozo

Ricardo R. Cardozo
Foto: divulgação

Olá, amigo apreciador e entusiasta dos vinhos de qualidade. Vamos continuar nossa pequena viagem aos vinhedos da Bourgogne (Borgonha), que desde julho de 2015 tem seus climats inscritos no Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, dada a importância e singularidade destes vinhedos para os amantes do vinho e, principalmente, para preservação da cultura da região e de um savoir faire também únicos.

Na última edição, iniciamos nossa viagem partindo de Chablis, que é a AOC mais ao norte e mais próxima de Paris e continuamos agora, rumo ao sul, para a Côte d’Or, que podemos traduzir livremente por Colinas de Ouro.

Mapa de Côte de Nuits e Hautes Côtes de Nuits

Mapa de Côte de Nuits e Hautes Côtes de Nuits
Imagem: https://www.vins-bourgogne.fr

Não é à toa que esta região tem este nome. Coincidência ou não, é lá que estão os maiores tesouros da Bourgogne (Borgonha), traduzidos em vinhos de qualidade excepcional, rótulos lendários e uma cultura ímpar.

Esta região se inicia em Dijon, capital da Borgonha, e se estende ao sul, passando por Beaune até o vilarejo de Santenay, a última AOC desta região.

A Côte d’Or é dividida em duas sub-regiões, a Côte de Nuit ao norte e a Côte de Beaune ao sul.

Vinhedos das Côtes de Nuits, em Comblanchien

Vinhedos das Côtes de Nuits, em Comblanchien
Foto: BIVB / www.armellephotographe.com

A Côte de Nuits tem como ponto central a vila de Nuits-Sanit-Georges. Possui uma extensão de pouco mais de 20 km e por vezes somente algumas centenas de metros de largura.

A maior parte de sua produção é de vinhos tintos e, graças à combinação de relevo, solo e microclimas, pode ser considerada como o paraíso da uva pinot noir. Em algumas publicações podemos mesmo achar referências a esta excepcional região como a Champs Elysées da Borgonha, dada a qualidade e a quantidade de apelações classificadas como Grand Cru. Os brancos, originários da Chardonay, também são produzidos em algumas denominações, mas com uma produção muito pequena.Rótulos de vinhos da região

Rótulos de vinhos da região

Rótulos de vinhos da região
Imagem: divulgação

A porção mais elevada desta região, na faixa de 300 a 400 m acima do nível do mar, recebe o nome de Hautes de Côtes de Nuits e tem uma produção mais equilibrada em termos de tintos e brancos, que – além da chardonay – são produzidos também a partir da variedade aligoté.

Os tintos desta região se harmonizam muito bem com todos os cortes bovinos e todos os tipos de preparação. Alguns mais delicados vão muito bem com carnes mais leves, como vitela e aves

Infelizmente, para nós (pelo menos para mim) a maioria destes grandes vinhos é quase que impossível de se degustar, devido ao valor altíssimo de mercado. Lendas como Romanée-Conti, La Tâche, Chambetain, chegam a custar, dependendo da safra, alguns milhares de reais. Mas sonhar nunca é demais e a esperança de um dia poder degustar um destes será sempre a última a morrer, bem depois de mim.

Paisagem em Auxey-Duresses, na Côte de Beaune

Paisagem em Auxey-Duresses, na Côte de Beaune
Foto: BIVB / Aurélien IBANEZ

Relação das apelações da Côtes de Nuits:

Grands Crus: Chambertin, Chambertin-Clos de Bèze, Chapelle-Chambertin, Griotte-Chambertin, Latricières-Chambertin, Mazis-Chambertin, Mazoyères-Chambertin, Ruchottes-Chambertin, Clos de la Roche, Clos de Tart, Clos Saint-Denis, Clos de Lambrays, Clos de Vougeot, Échezeaux, Grands Échezeaux, La Grande Rue, Richebourg, La Romanée, Romanée-Conti, Romanée-Saint-Vivant, La Tâche, Musigny, Bonnes Marres, Charmes Chambertin.

Villages (sendo algumas denominações classificadas em Premiére Cru): Chambolle-Musigny, Côte de Nuits-Villages, Fixin, Gevrey-Chambertin, Marsannay, Marsannay rosé, Morey-Saint-Denis, Nuits-Saint-Georges, Vosne-Romanée, Vougeot.

(*) Ricardo R. Cardozo é diretor de Degustações na Associação Brasileira de Sommeliers (ABS – Litoral Paulista) – www.abslitoral.com.br