Santos quer ampliar a conscientização sobre as árvores da cidade

“Toda árvore é bem-vinda, desde que plantada em lugar adequado, com planejamento, e se obtenha ganho ambiental, não engano ambiental”. Este é o mote que o secretário municipal de Serviços Públicos de Santos, o engenheiro Carlos Alberto Tavares Russo, usou para iniciar uma conversa sobre os cuidados que a população precisa ter com a cobertura vegetal da cidade e as mudanças que estão sendo ou precisam ser feitas.

Ele explica que se não existirem cuidados na escolha dos espécimes e no seu plantio, ocorre o que chama de engano ambiental – em três, dez anos, as pessoas verão o aparente ganho se transformar em prejuízo, com custos para a cidade, como a necessidade de a árvore ser removida.

É o que deve acontecer na Avenida Pedro Lessa, onde pessoas bem intencionadas plantaram árvores da espécie ficus, que em breve estarão arrebentando calçadas e até o asfalto da rua – daí ser necessário removê-las. O secretário ressalva que o problema não é a árvore em si, mas sua adequação ao local: “O ficus precisa de grandes espaços abertos, como o que está corretamente plantado defronte à Basílica do Embaré”.

Outro problema que tende a causar celeuma na cidade é o de cerca de 20 jamboleiros condenados, que precisarão ser removidos da Av. Washington Luiz e da Avenida Barão de Penedo. Dois caíram: são árvores senis e prejudicadas pela poluição, por isso ficam suscetíveis ao ataque de cupins e outros insetos. São espécies exóticas, por sua origem asiática.

Em seu lugar, os técnicos estudam colocar árvores nativas da Mata Atlântica, mais apropriadas às condições urbanas. Uma possibilidade é o oiti, que fica grande como as pessoas estão acostumadas e cuja raiz não quebra as calçadas. Outra opção é o guanandi, também nativo da região. O ipê tem queda das folhas no inverno, causando talvez estranheza em alguns. Outras árvores problemáticas em Santos são os flamboyants, as saboneteiras, os chapéus-de-sol e até os ingazeiros, que prejudicam as calçadas, redes de água e esgotos e a fiação elétrica: “Somos vítimas agora de erros de 60 anos atrás”.

Parasitas, cal e vandalismo prejudicam a arborização urbana 

Pragas – O técnico Daniel Augusto Machado observa a confusão que as pessoas fazem entre as epífitas – que não prejudicam as árvores, apenas ficam apoiadas sobre elas – e as plantas parasitas, que sugam a seiva das árvores em que se instalam, matando-as. Uma das parasitas é a erva-de-passarinho, conhecida por propriedades benéficas ao ser preparada como chá, mas que prejudica a cobertura vegetal. Suas sementes são levadas pelos pássaros (daí o nome) e depositadas nos galhos, onde se instalam e passam a atacar a árvore.

Uma lenda urbana é a da pintura dos troncos com cal (proibida): não ajuda em nada e ainda prejudica, pois a árvore também respira pelo tronco e a pintura diminui a porosidade da casca.

Outro erro, agora apontado pelo colega João Luiz Cirilo Fernandez, é a construção de pequenas muretas ao redor das árvores: isso é proibido porque as muretas impedem que a planta aproveite a água da chuva caída no passeio.

Praga pior é o vandalismo, que destrói a vegetação, a exemplo do ocorrido na Praça Lions, onde as plantas colocadas ao redor do Cristo de areia foram roubadas na noite seguinte.

Leis – Cirilo apela à conscientização do público e destaca o trabalho que vem sendo feito para readequar a cobertura vegetal da cidade. Em defesa da arborização, já existe a lei 973/2017, que facilita à iniciativa particular ações como a poda de árvores (no máximo, de metade de sua copa), o replantio e até a retirada (mediante compensação: 10 novas árvores para cada uma que for retirada, e isto se esta for irrecuperável ou estiver defronte a uma entrada de veículos, por exemplo).

Mesmo assim, em todos os casos, é necessária a supervisão de engenheiros agrônomos cadastrados na Prefeitura e que esta autorize o procedimento. E as árvores devem ser preservadas ao máximo nos locais das novas construções.

Santos precisa adequar melhor as espécies vegetais usadas às suas necessidades urbanas

Santos precisa adequar melhor as espécies vegetais usadas às suas necessidades urbanas
Foto: Francisco Arrais/Secor-PMS

Concessionárias – Um problema que deve em breve ser resolvido é o da concessionária de eletricidade podar árvores com cortes em “V” para que os fios passem pelo meio. Compensações ambientais serão aplicadas para que se busque um novo consenso sobre esses procedimentos.

Aliás, não adianta apenas uma empresa cumprir as compensações definidas num Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), se não houver acompanhamento especializado, pois o trabalho inadequado será perdido ou terá que ser refeito.

É com esse cuidado que a cidade pode, por exemplo, comemorar a chegada da Primavera com a bela imagem de um florido ipê rosa preservado junto à estação Conselheiro Nébias do VLT… [CPM]